Indicadores econômicos
Cuidado com a onda
de promoções e descontos em tintas. Pode ser uma armadilha.
6/6/06
*Por Sérgio Noburo Ishizaki
É
impressionante como caíram os preços das tintas. Em abril
do ano passado, o índice IPT estava em 159,06 pontos. Em abril
deste ano, passou para 149,43, o que resulta uma queda de 6,05%. É
certo que no começo do ano ocorreu a redução de 5%
no IPI, mas só em tintas, fundos, seladores e vernizes. As massas
e demais produtos comercializados nas lojas especializadas de tintas não
tiveram modificação. Além disso, este movimento de
queda nos preços começou antes da redução
do IPI, basta observar o gráfico.
Já o movimento de vendas não apresenta tendência descendente.
Estamos tendo na média até um faturamento superior ao do
ano passado. O que se pode concluir?
1.
Se os preços caíram 6% e o faturamento continua inalterado,
no mínimo em volume, estamos vendendo também 6% mais que
no ano passado.
2. As despesas fixas das lojas foram reajustadas, porque houve aumento
em quase todos os itens, incluindo dissídio coletivo sobre os salários,
aluguel, água, luz, telefone, etc.
3.
Observem que as despesas subiram e o faturamento não, apesar do
aumento no volume comercializado. Portanto, houve perda de rentabilidade.
4.
Na tentativa de retomar a rentabilidade, as lojas procuram elevar o seu
faturamento realizando promoções e descontos nos preços.
Com isso, os níveis de preços de mercado caem mais ainda.
Este movimento é altamente perigoso.
Pode levar um segmento inteiro à bancarrota. Não é
à toa que diversos comerciantes já começaram a sentir
as conseqüências.
Repare que o que deveríamos fazer
é justamente o contrário. Se por alguma razão o preço
de custo do produto cai, é necessário aplicar nele uma margem
de lucro maior para fazer frente às despesas que tiveram aumento.
Do contrário, será iminente a perda de rentabilidade, visto
que não existe milagre pelo lado da demanda. A demanda será
sempre uma relação direta do nível de crescimento
do setor em questão (construção civil ou reparação
automotiva), cujo crescimento não deve ultrapassar 5% ou 6% neste
ano.
Nesse sentido, a Artesp se sente no dever
de advertir os lojistas sobre essas armadilhas e convidar os fabricantes
a ajudarem seus clientes a retomarem a rentabilidade, se não quiserem
enfrentar uma onda de inadimplência e quebra de importantes revendedores.
*Sérgio Noburo Ishizaki
é diretor do departamento de Economia da Artesp.
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