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Preços voltam a subir. Culpa é do ICMS
03/06/08
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) para reparos no domicílio voltou a subir nas primeiras semanas de maio, chegando a 1,59% na segunda quadrissemana (soma as altas das quatro semanas anteriores). O valor é quase o dobro do IPC geral, que foi de 0,89%.
"O aumento está refletindo o impacto das mudanças no ICMS", diz o presidente da Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco), Cláudio Conz.
Conz, desde o início do ano, reclama que o governo do Estado de São Paulo promoveu um aumento da carga tributária no setor com as modificações na arrecadação do imposto, que agora é recolhido antecipadamente, pela indústria. "A maior alta está sendo nos materiais elétricos", diz.
Ele explica que o ICMS é cobrado sobre a margem de lucro do comércio. Como a arrecadação deve ser feita pela indústria, foram determinadas margens para cada setor.
"Nos materiais elétricos ficou em 45%, quando o mercado praticava 20%. Além disso, o comerciante tem que pagar o imposto à vista no novo sistema." A mudança foi divulgada em março, mas entrou em vigor em 1.º de maio. "Outro problema é que quem estava inserido no Simples, que são 80% das lojas, pagava só 2% de ICMS. Agora paga igual a todo mundo e repassa ao consumidor."
Conz, entretanto, acha que essa alta é pontual e não acredita em uma nova onda de aumentos por conta da pressão da demanda. "Os preços são como uma mola pressionada dos dois lados. Tem a pressão da demanda e também do petróleo. Boa parte dos materiais de construção usa matérias-primas derivadas do petróleo. O problema é agüentar a pressão", diz.
Tintas
O produto mais sensível nesse caso são as tintas. Segundo dados do Sindicato da Indústria de Tintas e Vernizes do Estado de São Paulo (Sitivesp), as vendas cresceram 6,45% em 2007, quando comparada a 2006. "As perspectivas para este ano são ainda maiores. Isso gera uma forte pressão sobre os preços, intensificada pelas freqüentes altas do dólar", explica o presidente do Sitivesp, Roberto Ferraiuolo.
O sindicato das indústrias alerta para um possível descompasso entre produção e demanda, e para a possibilidade de aumento nos preços no segundo semestre, quando a procura deve aumentar ainda mais. "Os lançamentos imobiliários do ano passado devem chegar à fase de acabamento e pintura em junho, julho", diz Ferraiuolo.
Entre os produtos pesquisados pelo Departamento de Matérias-Primas do Sitivesp com maior elevação de preços nos últimos meses, destaca-se a amônia na área de tintas imobiliárias (aumento de 40%), além de secantes de cobalto (39%); pigmento de alumínio em pó (9,8%), resina alquídica (20%), óleo de soja (19%) e óleo de castanha de caju (49%).
Os aumentos do aço também deverão refletir no varejo de materiais de construção segundo Conz. "A gente comemora a vitória do Brasil nas negociações com a China para venda do minério de ferro, mas ela irá refletir no preço do vergalhão."
Fonte: Agência Estado / Site Último Segundo - www.ultimosegundo.com.br
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