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Definidas restrições para caminhões
19/06/08
O prefeito Gilberto Kassab assinou ontem o decreto que define as restrições à circulação dos Veículos Urbanos de Carga (Vucs) em uma área de 100 km quadrados, correspondente ao Centro expandido da Capital. As novas regras, que viriam em um único decreto, foram fatiadas em três etapas, a primeira valendo a partir de 1º de julho.
De acordo com o texto publicado no Diário Oficial, os Vucs (veículos com 6,3 metros) serão enquadrados em um rodízio de placas durante o mês de julho. Os veículos de placas pares poderão rodar das 21h às 5h nos dias pares, e os de placas ímpares, no mesmo horário nos dias ímpares.
Passado o mês de julho, o rodízio continuará valendo, mas com novo horário: das 10h às 16h. A nova regra vigorará até 31 de outubro, logo após o primeiro turno das eleições municipais. A partir do dia 1º de novembro, os Veículos Urbanos de Carga entram na mesma restrição feita aos caminhões pesados, podendo circular somente das 21h às 5h, não importando o final da placa do veículo.
No texto publicado, Kassab confirmou exceções para os caminhões de mudanças, feiras, betoneiras (concretagem) e para os carros de transporte de valores.
Após a confirmação das novas regras, um grupo de 30 caminhoneiros parou a pista local da marginal Tietê. Os motoristas já protestavam contra as novas medidas. A lentidão, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), chegou a 11 quilômetros. O trânsito só voltou a fluir normalmente após as 13h.
Questionado sobre possíveis represálias e manifestações por parte de caminhoneiros e de empresas do setor de cargas, o prefeito Gilberto Kassab afirmou que não mudará o decreto e que as novas regras serão fiscalizadas. "Quem pede para voltar atrás não tem consideração pela cidade e seus 11 milhões de habitantes".
Kassab também lembrou que todos os pontos do decreto foram discutidos com empresários do setor e que as medidas resultarão na melhoria do caótico trânsito paulistano. "Dia 30 de junho elas entram em vigor. É o cronograma e ele será respeitado", garantiu o prefeito.
Adequação - Sobre o "fatiamento" do decreto, Kassab explicou que a decisão foi tomada após conversas com o Secretário Municipal dos Transportes, Alexandre de Moraes, de modo a implantar aos poucos as novidades, dando um prazo para o setor de cargas se adequar. "Será uma mudança gradual na operação de veículos de carga na cidade de São Paulo. Tudo será feito com muito cuidado. Não vamos prejudicar a cidade", disse o prefeito.
Quanto à aplicação do rodízio para os Vucs nas marginais Tietê e Pinheiros, Kassab informou que a mudança ainda está em avaliação por técnicos da Secretaria Municipal dos Transportes (SMT) e da CET. "Mas ele deve entrar em vigor logo", adiantou.
Ciente de que o decreto não será bem aceito pelo setor de cargas, o prefeito afirmou que manterá diálogo com o empresariado para evitar atritos. "Nunca deixamos de dialogar com o empresariado. A porta continuará aberta. As conversas continuarão por meio da Secretaria de Transportes", disse Kassab. Ele admitiu que as medidas são duras, " mas necessárias."
Empresariado - Antes da publicação do decreto, empresários do setor de cargas de São Paulo tentaram um último encontro com o secretário Alexandre de Moraes. A conversa aconteceu na noite de terça-feira. Mas nada foi alterado e o texto, que já estava definido, foi publicado, gerando um grande descontentamento.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Região (Setcesp), Francisco Pelucio, as novas regras prejudicarão o abastecimento do Centro expandido e trarão problemas financeiros para as empresas de carga. "Um carro ficará parado e outro liberado, por conta do rodízio. Definiram o caminhão como vilão do trânsito. E ele não é". Pelucio lembrou que o tamanho do Vucs (6,3 m de comprimento) foi definido em conjunto com a Prefeitura, no final de 2007. Disse que o setor cumprirá a lei a partir do dia 1º de junho, mas, ao mesmo tempo, estudará medidas para alterar as regras futuramente.
Exceções - O prefeito Gilberto Kassab também definiu a criação da comissão que estudará as exceções às restrições. O órgão será presidido pelo secretário adjunto dos Transportes, Cesar Mecchi Morales. Da comissão farão parte um integrante do Setcesp, seis secretaria municipais, CET, DSV, SPTrans, Fecomercio e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O prazo é de cinco dias para apresentar os nomes dos representantes.
Notícia - Davi Franzon
Fonte: Diário do Comércio |